sábado, 19 de dezembro de 2009
A primeira parte do espetáculo OCO,foi finalizada. usamos uma linguagem lógica de movimentação permitindo o corpo a sensação de desconforto.essa primeira etapa foi árdua para os bailarinos pelo fato que o corpo deles não estava habituada a movimentos Tao fortes,principalmente de contato de ar e chão ao mesmo tempo.para essa etapa seguimos uma linha de sentimentos voltada para o desconforto,oco,pesado,depreção,emocional,impacto,escuro,morte,fim,entre outros sentimentos fortes e instigastes para a movimentação.O espetaculo é dividido em 2 partes a primeira é uma comoção ao que sentimos interiormente,a segunda é o inverso é a construção de uma vida com a lógica da vida!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
primeiras fotos...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
fim de ano na cia ilustres desconhecidos.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
desabafo 2...
quantas vezes paramos no momento a pensar em nada, a pensar no vazio que se apoderou das nossas reaçoes... quantas vezes?
é como quando viajamos de carro , no banco de trás ,e encostamos a cabeça a janela embaciada e vemos fragmentos de imagens a passarem a grande velocidade por nós...imagens ofuscas,mesmo ali do outro lado da porta,mas que não nos pertencem ...vazio novamente.
no momento em que deitamos a cabeça na almofada e repousamos o corpo na cama ...quando o cansaço é tanto e a cabeça não fica quieta,mergulhada em imagens ,em episódios ,em vontades,ficamos vazios...no meio de tudo.
princesa Bé.
é como quando viajamos de carro , no banco de trás ,e encostamos a cabeça a janela embaciada e vemos fragmentos de imagens a passarem a grande velocidade por nós...imagens ofuscas,mesmo ali do outro lado da porta,mas que não nos pertencem ...vazio novamente.
no momento em que deitamos a cabeça na almofada e repousamos o corpo na cama ...quando o cansaço é tanto e a cabeça não fica quieta,mergulhada em imagens ,em episódios ,em vontades,ficamos vazios...no meio de tudo.
princesa Bé.
domingo, 29 de novembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
diario de bordo 2.
vazio...
algo que sentimos e não entendemos quando estamos sós ou em meio a multidão.algo que sufoca ,que prende em paredes invisíveis.não sentimos dor nem alegria, apenas vazio quando olhamos para um lugar e não olhamos para lugar nenhum.vazio quando apelamos, mendigando elogio,atenção...quando se sorri sozinho por não ter alguém para dividir o momento.quando não há ninguém que reclame!quando não há nada.o vazio é um quarto escuro onde eu estou sentado,encolhido onde a porta esta fechada a espera de ser aberta.Quando nada ou tudo nos emociona.O vazio é primo da solidão porem mais seco e triste por que a mesma se conhece sabe por que esta só o vazio não;é calado,barulhento é confuso e nem sempre podemos ver.o vazio poder ser um espaço vago que alguém deixou,pode ser uma queda que ninguém socorreu.um domingo de chuva,um livro em branco,o calar da alma a dormir sozinho.A espera por quem não se conhece,por quem nunca vem...o vazio é chorar sem saber por que.é não ter o que fazer é a preguiça,inquietação a calma em excesso...é o barulho irritante do relógio.o calendário que lembra momento que não queremos esquecer e avisa que o tempo esta passando .a luz que se apagou...
escadas sem destino...
é quando não se esta aceso nem apagado,frio nem quente...
apenas vazio.
Fernanda Silva
algo que sentimos e não entendemos quando estamos sós ou em meio a multidão.algo que sufoca ,que prende em paredes invisíveis.não sentimos dor nem alegria, apenas vazio quando olhamos para um lugar e não olhamos para lugar nenhum.vazio quando apelamos, mendigando elogio,atenção...quando se sorri sozinho por não ter alguém para dividir o momento.quando não há ninguém que reclame!quando não há nada.o vazio é um quarto escuro onde eu estou sentado,encolhido onde a porta esta fechada a espera de ser aberta.Quando nada ou tudo nos emociona.O vazio é primo da solidão porem mais seco e triste por que a mesma se conhece sabe por que esta só o vazio não;é calado,barulhento é confuso e nem sempre podemos ver.o vazio poder ser um espaço vago que alguém deixou,pode ser uma queda que ninguém socorreu.um domingo de chuva,um livro em branco,o calar da alma a dormir sozinho.A espera por quem não se conhece,por quem nunca vem...o vazio é chorar sem saber por que.é não ter o que fazer é a preguiça,inquietação a calma em excesso...é o barulho irritante do relógio.o calendário que lembra momento que não queremos esquecer e avisa que o tempo esta passando .a luz que se apagou...
escadas sem destino...
é quando não se esta aceso nem apagado,frio nem quente...
apenas vazio.
Fernanda Silva
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Onde o sonho não é possível,começa o território do vazio,o oco do ser, o chão do nada,a despercepção e a desmemória.Valter da Rosa Borges
....
Eu quero usar um pouco do seu vazio pra eu me fazer inteira. Eu quero o som do seu oco pra fazer música até amanhecer.Verônica H.
...
Sou um vazio com nome e forma que teima numa expressão animada, de sentimentos inconstantes, entre o tudo e o nada.Daniele Ramos
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
confiçao...1
Pausa
Há momentos de pausa... de tranquilidade onde a multidão absorve o espaço e o tempo não respira.
Sei que sinto a falta... falta daquele momento tranquilo em que o instante fica em stand-by e a vontade é desleixada contrariando a acção...
Voltei... abracei a pausa e trouxe-a até lado nenhum, só para poder recomeçar... um pouquinho mais atrás do que no fragmento onde parei...
PRINCESA BÉ.
Há momentos de pausa... de tranquilidade onde a multidão absorve o espaço e o tempo não respira.
Sei que sinto a falta... falta daquele momento tranquilo em que o instante fica em stand-by e a vontade é desleixada contrariando a acção...
Voltei... abracei a pausa e trouxe-a até lado nenhum, só para poder recomeçar... um pouquinho mais atrás do que no fragmento onde parei...
PRINCESA BÉ.
sábado, 14 de novembro de 2009
diario de bordo 1.
O vazio é algo que fica bem no meio entre isso e aquilo. O vazio tudo inclui e não tem contra partida nada tendo a excluir ou a construir. O vazio é vivo, pois todas as formas dele energe e aquele que compreende o vazio fica cheio de força e de amor. mesmo onde você enxerga o vazio pode ter gente dentro.O vazio não tem nome nem sobrenome, é algo ruim e bom, que passa devagar ou rápido. O vazio dependendo de quem vê ou sente, não tem dimensão ou infinito. O vazio é uma dor silenciosa ou uma alegria calma, não precisa ser rico nem pobre para vê-lo ou senti-lo, só precisa ser humano.Nada enche tanto como o acumulo de vazios.O vazio na verdade traz com ele pesos, ressentimentos, mágoas, dores e mistérios.O vazio pesado acaba com relacionamentos que poderia ser o conteúdo consistente que suplantaria o estoque que deforma o ser. (Charles Canela)Vazio no dicionário significa: que nada contem, desabitado, desocupado, fútil, frívolo, falta de inteligencia de encanto e desprovido.Para mim não tem como dá só um adjetivo para o vazio, pois ele é composto por vários substantivos em qual nos temos que descobrir. (ANA VICTORIA)
...

''Os caminhos de uma obra nao sao controlaveis.Um ballet tem vida por si só e ele mesmo determina seus proprios caminhos.tentando entender um pouquinho mais o que somos e o que nos faz ser assim sem rumo,OCOS,perdidos,inertes,mas esperançosos de um tempo que está por vir e crentes nele estamos aguardando,mesmo que seja depoes da morte,cremos em um momento melhor,mas leve,menos VAZIO.criamos essa dança no OCO,no vao entre as coisas e sentimentos do mundo.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
DEFINIÇAO DE VAZIO.
Defina "vazio".O vazio é aquela sensação ruim que bate na gente na hora de acordar, depois daqueles quinze segundos que levamos pra recobrar a consciência.O vazio é quando você abre o bloco de anotações que fica na cabeceira da cama e não tem mais nada para escrever, e aí você desenha um boneco de palitinho antes de dormir. O vazio é quando você grava CDs para si mesma, porque não vai mostrar músicas novas para ninguém, e porque tudo o que você vai fazer com a música nos próximos dias é escutar no último volume na hora do banho.O vazio é quando a hora do banho é mais do que hora. O vazio é quando você fica embaixo do chuveiro olhando para o azulejo, sentindo a água escorrer e não consegue fechar a torneira, e tem vontade de ficar ali até murchar.O vazio é quando você murcha de repente, no final do dia, dentro do ônibus, no meio da balada, dentro do cinema, na metade do sanduíche, no caminho pra casa. O vazio é quando você chega em casa e não pode pegar no telefone, não pode mandar um e-mail, não pode dizer a alguém que ligou porque lembrou ou porque está com saudades. O vazio é se obrigar a não sentir saudades.O vazio é quando você acorda no meio da madrugada para fazer xixi e pode acender todas as luzes do caminho até o banheiro, porque não vai acordar ninguém; é quando você tem que acordar no primeiro toque do despertador porque ninguém vai te chamar daqui a cinco minutos.O vazio é quando os cinco minutos de uma música duram uma eternidade e te fazem voltar no tempo e querer começar as coisas de novo, mesmo que no final desse tudo errado outra vez. O vazio é quando você guarda as letras dessa mesma música num bolso de casaco dentro do armário. O vazio é quando você sente vontade de ficar pequena, entrar dentro desse mesmo bolso e não sair mais dali.O vazio é quando você lembra de alguma coisa, como um sorriso, um jeito de falar ou de ajeitar os óculos no nariz e aquilo te causa um sorriso bobo no canto dos lábios; e logo em seguida aquilo também te causa uma puta saudade. Saudade daquelas que você não pode contar pra ninguém, porque ninguém ia entender como é que você tem saudade de uma coisa tão específica, ou como é que você sente saudades de algo que você viu tão pouco.O vazio é isso: é quando você sente que viu tão pouco.O vazio é quando você dorme no sofá da sala porque ninguém vai te levar pro quarto, o vazio é quando você dorme com a roupa do corpo, o vazio é quando você é só o corpo. O vazio é quando você tem uma idéia maluca e engraçada e só tem uma pessoa que poderia entender, então você vai guardar sua idéia maluca e engraçada dentro da gaveta.O vazio é a própria gaveta, sempre aberta, que você não consegue fechar porque tem medo que ela não abra nunca mais. O vazio é quando você tem uma súbita vontade de abraçar alguém e dizer pra fazer de conta que aquilo ainda existe. O vazio é quando você sabe que horas são, que dia da semana é hoje, mas não sabe como fazer passar o tempo.O vazio é NÃO SABER.O vazio é uma sensação estranha que você tem quando o céu está muito azul ou quando você está muito feliz e não tem ninguém por perto. O vazio é quando você tem medo de dormir sozinha e então passa a noite inteira acordada assistindo um filme genérico de kung fu na tevê aberta. O vazio é quando você sente muita sede, toma um suco bem gelado e aquilo não refresca. O vazio é uma barra de chocolate pela metade que vai ficar com gosto de armário simplesmente porque você não vai comer a outra metade.O vazio é quando você fica passando o mouse de um lado pra outro da tela do computador, e clica no "X" no canto direito porque nada daquilo que está ali faz sentido.O vazio fica no fundo da caixa onde estavam as coisas que você jogou fora, o vazio se converte em bytes de fotos que você deleta do seu HD. O vazio é quando depois do jantar você fica fazendo origamis com um guardanapo pra lá de amassado onde não tem nenhum verso escrito. O vazio é quando você fica girando a última batata frita no fundo da travessa enquanto o seu pensamento está do outro lado da cidade.O vazio é o silêncio que a gente não gosta, e também é quando todos os barulhos incomodam porque fazem eco DENTRO DE VOCÊ.O vazio é quando você escuta essa música em volume esgoeladamente alto seguidas e seguidas vezes pra ver se... o vazio passa.
a outra vizao do vazio por RUBEM ALVES.
O Vazio
Minhas netas: Hoje quero que vocês me respondam uma pergunta: o que é que vale mais, o cheio ou o vazio? Ah! Pergunta boba! Todo mundo sabe que o que o cheio vale mais que o vazio. Quem gostaria de receber uma caixa vazia como presente de aniversário? O que a gente quer é uma caixa cheia. É o cheio que vale. Tanto assim que o cheio custa dinheiro. Mas o vazio não custa nada. Ninguém compra o vazio.Parece óbvio que o cheio vale mais que o vazio... Mas será mesmo? É gostoso comprar uma sandália nova. Mas uma sandália é para a gente pôr os pés dentro dela. Mas para se pôr os pés dentro dela é preciso que o “dentro dela” esteja vazio. Se o “dentro dela“ estiver cheio o pé não entra. É o vazio da sandália que a torna útil. Vocês gostam de refrigerante. Querem pôr o refrigerante no copo. Mas para se pôr o refrigerante no copo é preciso que o copo esteja vazio. Um copo é um vazio cercado de vidro por todos os lados, menos o de cima. Aí você dá uma risadinha e diz: “Eu não preciso de copo. Uso um canudinho de plástico...“ Mas o canudinho só funciona se estiver vazio. É preciso que ele esteja vazio para que o refrigerante passe por dentro dele quando você chupa. Na escola o professor já lhes explicou como são os pulmões? Eles se parecem com um esponja: são cheios de buraquinhos vazios. Os buraquinhos têm de estar vazios para que o ar entre neles. Coisa ruim é quando, resfriados, os pulmões ficam “cheios“. Pulmão cheio não deixa respirar. Coisa gostosa é andar de bicicleta. Você pedala, as rodas rodam, e lá vai você sentindo o ventinho gostoso no rosto. Mas as rodas, para girarem, precisam ter um buraco no meio. É nesse buraco que entra o eixo. É o vazio no centro da roda que a torna útil. Vocês gostam de bolo. Eu também. Para se fazer um bolo a gente procura a receita num livro de receitas. A primeira coisa que aparece numa receita são os “ingredientes“: farinha, ovos, açúcar, manteiga, leite e outras coisas. Mas eu nunca vi, em livro de receitas, explicado que se não se misturar uma pitada de vazio com os ingredientes, o bolo não fica bom. Fica “embatumado“, pesado, ruim. É o vazio que faz o bolo ficar fofinho e leve. Aí você me pergunta: “Mas como se faz para misturar o vazio na massa do bolo?“ É simples. É para isso que se batem as claras dos ovos. As claras, sem bater, são só o “cheio“. Mas, depois de batidas, estão cheias de vazio. Vocês sabem bater claras? É divertido. A gente pega um garfo e vai enrolando a clara com movimentos circulares rápidos. Para quê? Para pescar vazio. Depois de batidas as claras, olhem bem: elas se transformaram numa espuma, milhares de bolhas minúsculas. Dentro de cada bolha está um pouquinho de ar. O fermento faz o mesmo efeito. Misturado com a massa o fermento começa a produzir bolhas bem pequenas de um gás, semelhantes àquelas que existem dentro das garrafas de refrigerantes. A casa também é um vazio cercado de paredes. Para isso servem as paredes: para pegar o vazio e permitir que ele seja usado. Os arquitetos e arquitetas são os artistas que sabem a arte de pegar vazios por meio de paredes. E as janelas? Também são vazios. Buracos. Já imaginaram uma casa sem janelas? Seria horrível viver numa casa sem janelas. Só conheço uma casa sem janelas: os prédios do Congresso Nacional, em Brasília. Parece que a ausência de janelas não faz bem nem para os sentimentos e nem para os pensamentos... É o vazio entre os meus olhos e o jardim que me permite ver o jardim. É o vazio chamado “silêncio“ que me permite ouvir a música. E o espelho? Para ser bom, para refletir o seu rosto, é preciso que seja vazio.Agora uma de vocês me diz: “Mas vô: faz tempo que você está contando como era a sua vida de menino, na roça! E agora você começa a falar sobre o vazio...“ Aí eu explico: “É que a roça é o lugar onde o vazio é grande. A cidade é o lugar onde o vazio é pequeno.“ Na cidade a gente olha para fora e os olhos logo batem num edifício, num muro, nos automóveis. Na cidade a gente vê curto. Na roça, porque o vazio é grande, os olhos vêem longe, muito longe: os campos, as matas, as montanhas no horizonte, o sol que morre, a lua que nasce, as estrelas... Que coisa bonita é ver a cortina branca da chuva que vai chegando... Quando o vazio é grande o mundo cresce. Coisa que eu gostava de fazer quando menino: deitar no capim e ficar vendo as nuvens. Pareciam navios navegando no mar do céu, mudando de forma, sem parar: o pato virava regador, o regador virava elefante... Eu não entendia uma coisa: como é que as nuvens não caíam! De vez em quando elas caíam como chuva de água ou chuva de pedra de gelo. Disso eu concluía que nuvem era água e gelo. Aí eu me perguntava: como é que água e gelo ficam lá em cima, flutuando como se fossem flocos de algodão? E os urubus? Todo mundo acha que urubu é ave feia. Discordo. Vocês já pararam para ficar olhando o vôo dos urubus? Pensando no vôo dos urubus eu me lembrei de uns versos da Cecília Meireles: “Os dias felizes estão entre as árvores, como pássaros: viajam nas nuvens, correm nas águas, desmancham-se na areia. Todas as palavras são inúteis, desde que se olha para o céu. A doçura maior na vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são belos, no largo círculos dos dias sossegados...“ Os urubus voam muito alto – parecem uns pontinhos negros no azul vazio do céu. Para voar eles nem batem asas. Eles flutuam nas correntes de ar quente que sobem. Foram os urubus que ensinaram os homens a voar com as asas delta. Se não fosse o vazio do céu não haveria nem o vôo dos pássaros e nem o vôo dos homens.Na roça, porque o vazio era grande, a liberdade era grande também. O vazio é um lugar bom para brincar. Se não fosse o vazio do céu, como é que eu poderia empinar uma pipa? Se não fosse o vazio debaixo da árvore, como é que eu ia balançar, até bater com a ponta do pé na folha do galho alto? Os campos eram imensos vazios, sem cercas. De manhã, depois do café com leite, pão e manteiga, eu saía para fora. Não era preciso prestar atenção no tráfego para não ser atropelado. Não havia automóveis correndo e buzinando. No vazio eu era um menino livre, brincalhão... Meus pensamentos voavam com as nuvens e os urubus...E havia também um vazio chamado silêncio. Silêncio é quando não há ruídos e barulhos. Na cidade não há o vazio do silêncio: nossas casas são invadidas pelo ronco das motocicletas, das buzinas, do som a todo volume. Quando o espaço está vazio de barulhos a gente pode escutar as músicas da natureza. Há 150 anos um chefe índio dos Estados Unidos escreveu uma carta ao presidente daquele país falando sobre as cidades dos ditos civilizados. Disse ele: “Não há lugar calmo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar para escutar o desabrochar das folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. A barulheira ofende os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos à volta de uma lagoa, à noite...“ Vocês já ouviram a música das folhas das árvores sacudidas pelo vento? Já ouviram o canto de um sabiá no meio da mata, ao entardecer? O zumbido das abelhas em busca de flores?A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias. Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade...A roça é o lugar onde o vazio é grande. O vazio grande da roça, com seus espaços e silêncios, é o colo da natureza, nossa mãe de onde saímos e para onde haveremos de voltar... Assentados no colo da mãe o medo se vai e tudo fica bom. A cidade é o cheio. A roça é o vazio. Tenho saudade do vazio da roça...
Minhas netas: Hoje quero que vocês me respondam uma pergunta: o que é que vale mais, o cheio ou o vazio? Ah! Pergunta boba! Todo mundo sabe que o que o cheio vale mais que o vazio. Quem gostaria de receber uma caixa vazia como presente de aniversário? O que a gente quer é uma caixa cheia. É o cheio que vale. Tanto assim que o cheio custa dinheiro. Mas o vazio não custa nada. Ninguém compra o vazio.Parece óbvio que o cheio vale mais que o vazio... Mas será mesmo? É gostoso comprar uma sandália nova. Mas uma sandália é para a gente pôr os pés dentro dela. Mas para se pôr os pés dentro dela é preciso que o “dentro dela” esteja vazio. Se o “dentro dela“ estiver cheio o pé não entra. É o vazio da sandália que a torna útil. Vocês gostam de refrigerante. Querem pôr o refrigerante no copo. Mas para se pôr o refrigerante no copo é preciso que o copo esteja vazio. Um copo é um vazio cercado de vidro por todos os lados, menos o de cima. Aí você dá uma risadinha e diz: “Eu não preciso de copo. Uso um canudinho de plástico...“ Mas o canudinho só funciona se estiver vazio. É preciso que ele esteja vazio para que o refrigerante passe por dentro dele quando você chupa. Na escola o professor já lhes explicou como são os pulmões? Eles se parecem com um esponja: são cheios de buraquinhos vazios. Os buraquinhos têm de estar vazios para que o ar entre neles. Coisa ruim é quando, resfriados, os pulmões ficam “cheios“. Pulmão cheio não deixa respirar. Coisa gostosa é andar de bicicleta. Você pedala, as rodas rodam, e lá vai você sentindo o ventinho gostoso no rosto. Mas as rodas, para girarem, precisam ter um buraco no meio. É nesse buraco que entra o eixo. É o vazio no centro da roda que a torna útil. Vocês gostam de bolo. Eu também. Para se fazer um bolo a gente procura a receita num livro de receitas. A primeira coisa que aparece numa receita são os “ingredientes“: farinha, ovos, açúcar, manteiga, leite e outras coisas. Mas eu nunca vi, em livro de receitas, explicado que se não se misturar uma pitada de vazio com os ingredientes, o bolo não fica bom. Fica “embatumado“, pesado, ruim. É o vazio que faz o bolo ficar fofinho e leve. Aí você me pergunta: “Mas como se faz para misturar o vazio na massa do bolo?“ É simples. É para isso que se batem as claras dos ovos. As claras, sem bater, são só o “cheio“. Mas, depois de batidas, estão cheias de vazio. Vocês sabem bater claras? É divertido. A gente pega um garfo e vai enrolando a clara com movimentos circulares rápidos. Para quê? Para pescar vazio. Depois de batidas as claras, olhem bem: elas se transformaram numa espuma, milhares de bolhas minúsculas. Dentro de cada bolha está um pouquinho de ar. O fermento faz o mesmo efeito. Misturado com a massa o fermento começa a produzir bolhas bem pequenas de um gás, semelhantes àquelas que existem dentro das garrafas de refrigerantes. A casa também é um vazio cercado de paredes. Para isso servem as paredes: para pegar o vazio e permitir que ele seja usado. Os arquitetos e arquitetas são os artistas que sabem a arte de pegar vazios por meio de paredes. E as janelas? Também são vazios. Buracos. Já imaginaram uma casa sem janelas? Seria horrível viver numa casa sem janelas. Só conheço uma casa sem janelas: os prédios do Congresso Nacional, em Brasília. Parece que a ausência de janelas não faz bem nem para os sentimentos e nem para os pensamentos... É o vazio entre os meus olhos e o jardim que me permite ver o jardim. É o vazio chamado “silêncio“ que me permite ouvir a música. E o espelho? Para ser bom, para refletir o seu rosto, é preciso que seja vazio.Agora uma de vocês me diz: “Mas vô: faz tempo que você está contando como era a sua vida de menino, na roça! E agora você começa a falar sobre o vazio...“ Aí eu explico: “É que a roça é o lugar onde o vazio é grande. A cidade é o lugar onde o vazio é pequeno.“ Na cidade a gente olha para fora e os olhos logo batem num edifício, num muro, nos automóveis. Na cidade a gente vê curto. Na roça, porque o vazio é grande, os olhos vêem longe, muito longe: os campos, as matas, as montanhas no horizonte, o sol que morre, a lua que nasce, as estrelas... Que coisa bonita é ver a cortina branca da chuva que vai chegando... Quando o vazio é grande o mundo cresce. Coisa que eu gostava de fazer quando menino: deitar no capim e ficar vendo as nuvens. Pareciam navios navegando no mar do céu, mudando de forma, sem parar: o pato virava regador, o regador virava elefante... Eu não entendia uma coisa: como é que as nuvens não caíam! De vez em quando elas caíam como chuva de água ou chuva de pedra de gelo. Disso eu concluía que nuvem era água e gelo. Aí eu me perguntava: como é que água e gelo ficam lá em cima, flutuando como se fossem flocos de algodão? E os urubus? Todo mundo acha que urubu é ave feia. Discordo. Vocês já pararam para ficar olhando o vôo dos urubus? Pensando no vôo dos urubus eu me lembrei de uns versos da Cecília Meireles: “Os dias felizes estão entre as árvores, como pássaros: viajam nas nuvens, correm nas águas, desmancham-se na areia. Todas as palavras são inúteis, desde que se olha para o céu. A doçura maior na vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são belos, no largo círculos dos dias sossegados...“ Os urubus voam muito alto – parecem uns pontinhos negros no azul vazio do céu. Para voar eles nem batem asas. Eles flutuam nas correntes de ar quente que sobem. Foram os urubus que ensinaram os homens a voar com as asas delta. Se não fosse o vazio do céu não haveria nem o vôo dos pássaros e nem o vôo dos homens.Na roça, porque o vazio era grande, a liberdade era grande também. O vazio é um lugar bom para brincar. Se não fosse o vazio do céu, como é que eu poderia empinar uma pipa? Se não fosse o vazio debaixo da árvore, como é que eu ia balançar, até bater com a ponta do pé na folha do galho alto? Os campos eram imensos vazios, sem cercas. De manhã, depois do café com leite, pão e manteiga, eu saía para fora. Não era preciso prestar atenção no tráfego para não ser atropelado. Não havia automóveis correndo e buzinando. No vazio eu era um menino livre, brincalhão... Meus pensamentos voavam com as nuvens e os urubus...E havia também um vazio chamado silêncio. Silêncio é quando não há ruídos e barulhos. Na cidade não há o vazio do silêncio: nossas casas são invadidas pelo ronco das motocicletas, das buzinas, do som a todo volume. Quando o espaço está vazio de barulhos a gente pode escutar as músicas da natureza. Há 150 anos um chefe índio dos Estados Unidos escreveu uma carta ao presidente daquele país falando sobre as cidades dos ditos civilizados. Disse ele: “Não há lugar calmo nas cidades do homem branco. Nenhum lugar para escutar o desabrochar das folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. A barulheira ofende os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos à volta de uma lagoa, à noite...“ Vocês já ouviram a música das folhas das árvores sacudidas pelo vento? Já ouviram o canto de um sabiá no meio da mata, ao entardecer? O zumbido das abelhas em busca de flores?A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias. Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade...A roça é o lugar onde o vazio é grande. O vazio grande da roça, com seus espaços e silêncios, é o colo da natureza, nossa mãe de onde saímos e para onde haveremos de voltar... Assentados no colo da mãe o medo se vai e tudo fica bom. A cidade é o cheio. A roça é o vazio. Tenho saudade do vazio da roça...
trabalho de pesquisa
Para trabalhar o corpo sobre o VAZIO usamos :
- fotos
- textos
- filmes
- musicas
- objetos
- frases
em todos os laboratorios conversamos bastante sobre o que estamos fazendo,ate chegar numa conclusao exata para poder nos comunicarmos de forma clara fazendo com que chegue ao publico o sentimento proposto na coreografia.
sobre o espetaculo...
Atravez da dança contemporânea OCO vem mostrar uma inquietação vivida pela sociedade no cotidiano sendo expresso pelo vazio interior e exterior. O corpo sente baques e emoções distintas constantemente por conta de inúmeros sentimentos e por trás de todos esses motivos nasce o vazio que remete a sensações indiferentes.O espetáculo traz atravez de uma movimentação inconstante um interior do sentir e questionar, fazendo com que o publico veja sinta e participe da cena percebendo que o sentir vazio é permanente e consiste em cada um pelo fato de que nunca se esta satisfeito,porem para tudo há sempre uma solução.acreditando na dança como elemento de transformação social ,ética,moral e cultural dos indivíduos é que o espectáculo OCO se propõe a incorporar a ação como fator necessário ligado a atividade mental,experimentando por meio de uma expressão diferente da palavra a dança.
sobre a cia...
A cia ilustres desconhecidos iniciou o seu trabalho de forma paralela ate se tornar uma cia de fato.em 2008 o sesc de Petrolina fez um evento de dança no mês da dança para fomentar a criação de novas coreografias e bailarinos criadores na cidade, o festival se chama ''VALE DANÇAR'' . Anderson Rafael e Leidy Costa (fundadores da cia)decidiram montar uma coreografia para experimentar o que tinham aprendido em longa data de dança.a coreografia foi ''BANDOLINS"
musica interpretada por OSWALDO MONTENEGRO conquistando segundo lugar. percebendo que tinham parceria na forma de pensar na dança que faziam deram continuidade com a pesquisa de um possível trabalho.Em 2009 novamente o festival, montaram ''Não posso ir nem posso ficar...'' com musica original de Eugenio Cruz,a coreografia expressava o apego e desapego entre o homem e a mulher com seus conflitos de amar e ter que decidir entre o sentimento e a conquista pessoal.a vontade foi tanta de entrar no palco e mostrar pra que vieram que foi lindo de ver e ganharam em primeiro lugar com melhor coreografia de DUO da noite,sendo assim a maior inspiração de montar um espetaculo.Entre alguns processos coreográficos LEIDY COSTA(uma das bailarinas fundadoras) foi embora da cidade por motivos pessoais deixando saudades e ANDERSON tomou continuidade na pesquisa...hoje a cia é formada por 4 bailarinos ANDERSON RAFAEL(contemporaneo,clássico,popular,teatro),ANA VICTORIA(contemporaneo,clássico e teatro) FERNANDA(contemporaneo,clássico,salão,popular,teatro) CRIS ALENCAR (teatro,contemporaneo)parceria que deu certo.A cia trabalha através de pesquisa textual e fotografia,os laboratórios de coreografia são feitos sempre através de estudos.
musica interpretada por OSWALDO MONTENEGRO conquistando segundo lugar. percebendo que tinham parceria na forma de pensar na dança que faziam deram continuidade com a pesquisa de um possível trabalho.Em 2009 novamente o festival, montaram ''Não posso ir nem posso ficar...'' com musica original de Eugenio Cruz,a coreografia expressava o apego e desapego entre o homem e a mulher com seus conflitos de amar e ter que decidir entre o sentimento e a conquista pessoal.a vontade foi tanta de entrar no palco e mostrar pra que vieram que foi lindo de ver e ganharam em primeiro lugar com melhor coreografia de DUO da noite,sendo assim a maior inspiração de montar um espetaculo.Entre alguns processos coreográficos LEIDY COSTA(uma das bailarinas fundadoras) foi embora da cidade por motivos pessoais deixando saudades e ANDERSON tomou continuidade na pesquisa...hoje a cia é formada por 4 bailarinos ANDERSON RAFAEL(contemporaneo,clássico,popular,teatro),ANA VICTORIA(contemporaneo,clássico e teatro) FERNANDA(contemporaneo,clássico,salão,popular,teatro) CRIS ALENCAR (teatro,contemporaneo)parceria que deu certo.A cia trabalha através de pesquisa textual e fotografia,os laboratórios de coreografia são feitos sempre através de estudos.
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